A escalada que começou na pandemia e passou pelo uso político da desinformação culminou na condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão, revelando uma crise institucional sem precedentes.
O Brasil presencia agora o capítulo decisivo de uma história que se formou diante de todos. A condenação de Jair Messias Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, com pena superior a 27 anos, não resulta de um único ato. Portanto, ela nasce de uma sequência de decisões políticas, ataques institucionais e estratégias de comunicação que moldaram um dos períodos mais turbulentos da vida republicana.
Além disso, a crise ganha contornos mais claros quando se observa sua origem. Ainda durante a pandemia, a gestão federal adotou uma postura que rejeitou a ciência, desacreditou especialistas e estimulou comportamentos de risco em meio à maior emergência sanitária do século. Portanto, esse período consolidou práticas de desinformação que formaram mais tarde a base da engrenagem usada em ataques ao processo eleitoral e às instituições.
Covid-19
Além disso, desde o início da Covid-19, Bolsonaro tratou a doença com desprezo. Ele chamou o vírus de “gripezinha”, ironizou as vítimas e questionou a gravidade da pandemia enquanto hospitais enfrentaram superlotação. A postura presidencial incentivou milhares de pessoas a ignorar medidas sanitárias, inclusive o uso de máscaras e o distanciamento social. Portanto, a comunicação oficial aproximou-se do negacionismo científico. Esse movimento alimentou a polarização nacional e preparou terreno para confrontos futuros.
Enquanto isso, o governo federal apostou no chamado “tratamento precoce”. A estratégia ganhou força mesmo com evidências robustas que apontaram a ineficácia de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina. O Ministério da Saúde enfrentou instabilidade e disputas internas. Ministros caíram após discordarem do presidente e das ordens políticas que orientaram a resposta federal à crise. A gestão exibiu fragmentação, improviso e rejeição às recomendações internacionais.
Rede de apoiadores
A pandemia fortaleceu uma rede de apoiadores que interpretou críticas como perseguição. Essa narrativa ganhou ritmo e se transformou em instrumento político. A máquina digital bolsonarista ampliou teorias conspiratórias, distorceu dados e reforçou a imagem de Bolsonaro como vítima de forças ocultas. Esse ambiente se tornou o combustível das ações que posteriormente motivaram seu julgamento no STF.
A crise institucional cresceu com novos enfrentamentos. Bolsonaro atacou ministros do Supremo, sugeriu descumprimento de decisões judiciais e incentivou atos públicos com discursos contra o Tribunal. Carreatas, manifestações e acampamentos levaram milhares às ruas com apelos antidemocráticos. A retórica inflamou grupos radicais e criou ambiente fértil para ações coordenadas de desinformação.
Esse conjunto de ações chamou atenção do STF e do Ministério Público Federal. Investigadores identificaram estrutura organizada que atuou para desacreditar instituições, sabotar a confiança no processo eleitoral e estimular hostilidade contra o Judiciário. O julgamento reconheceu a existência dessa organização criminosa e atribuiu a Bolsonaro papel central na condução do esquema.
Tentativa de golpe
A tentativa de golpe, citada no acórdão, não surgiu de improviso. Ela nasceu da radicalização contínua. Ela também resultou do fortalecimento de grupos que viram na ruptura institucional a saída para derrotas políticas. A organização se articulou em redes sociais, transmissões digitais e estratégias de manipulação emocional. Esse modelo repetiu métodos observados durante a pandemia, quando a desinformação serviu para blindar o governo.
Após a condenação, a tensão atingiu seu ápice com a convocação de uma vigília pelo senador Flávio Bolsonaro. O ato, marcado para ocorrer nas proximidades do condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar, adotou tom messiânico e inflamado. A Polícia Federal identificou risco extremo de tumulto, obstrução das medidas cautelares e tentativa de fuga. Essas evidências ampliaram a gravidade da situação.
Violação
Nesse mesmo período, a tornozeleira eletrônica registrou violação. O equipamento apontou manipulação durante a madrugada. Bolsonaro admitiu que usou ferro de solda para tentar abrir o dispositivo. Ele atribuiu o ato a um quadro de paranoia provocado por medicamentos. Essa explicação surgiu durante audiência de custódia, e a juíza registrou o depoimento. A Polícia Federal discordou da versão e reafirmou que o episódio indicou movimento deliberado para romper o monitoramento.
A proximidade da Embaixada dos Estados Unidos localizada a apenas 13 quilômetros da residência de Bolsonaro fortaleceu hipóteses investigativas sobre fuga. Relatórios internos destacaram fugas recentes de aliados, inclusive de Alexandre Ramagem e Carla Zambelli. O padrão reforçou o entendimento de que o ex-presidente poderia tentar estratégia semelhante.
Diante desse conjunto, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva. A decisão não tratou atos isolados. Ela analisou a sequência completa de condutas que, somadas, criaram risco real à ordem pública. Portanto, o ministro apontou tentativa de mobilização golpista, possibilidade de tumulto e tentativa de manipular massas. O STF concluiu que a prisão domiciliar já não garantia segurança institucional.
Hoje, o Brasil encara as consequências de uma trajetória sustentada por desinformação, ataques à ciência e confrontos diretos com pilares democráticos. Além disso, o julgamento do STF se transformou em marco histórico porque expõe a realidade de uma estratégia política que priorizou caos e instabilidade. O País agora vive o desfecho de um processo que começou muito antes da decisão final. Portanto, ele começou com a negação da pandemia, evoluiu com ataques às instituições e terminou com a condenação mais dura já aplicada a um ex-presidente.
Portanto, diante disso, o editorial destaca que a democracia brasileira demonstra resiliência. As instituições funcionam. A Justiça age. E o País, apesar das crises, reafirma compromisso com o Estado de Direito.
INFOGRÁFICOS
Infográfico 1 — Linha do tempo da escalada
- 2020 — Minimização da Covid-19; “gripezinha”; oposição a máscaras.
- 2020–2021 — Promoção do tratamento precoce e atraso nas vacinas.
- 2021–2022 — Fortalecimento da máquina de desinformação.
- 2022 — Atos golpistas e ataques ao STF.
- Julho/2025 — Medidas cautelares impostas.
- Outubro/2025 — Condenação de 27 anos.
- 22/11/2025 — Violação da tornozeleira e convocação de vigília.
- 23/11/2025 — Audiência de custódia.
- Novembro/2025 — Prisão preventiva decretada.
Infográfico 2 — Pilares do colapso jurídico
- Negação científica
- Mobilização radicalizada
- Ataques ao STF
- Estratégias de desinformação
- Tentativa de golpe
- Risco de fuga
- Violação de medidas judiciais
O que levou à prisão preventiva
- Convocação de vigília organizada por aliados.
- Risco extremo de tumulto e obstrução das medidas.
- Violação confirmada da tornozeleira.
- Indícios de estratégia de fuga.
- Atuação reiterada da organização criminosa.
- Proximidade com embaixadas possibilidade de asilo.
- Inviabilidade de manter segurança na prisão domiciliar.
De Vargas a Bolsonaro: rupturas, crises e a linha tênue da democracia brasileira
Portanto, o Brasil vive ciclos de instabilidade desde a década de 1930. Getúlio Vargas enfrentou confrontos com o Congresso e governou com forte centralização. Além disso, em 1964, o golpe militar derrubou João Goulart e instaurou regime autoritário de 21 anos. Portanto, a redemocratização trouxe avanços, mas deixou espaço para tensões recorrentes entre Poderes.
Bolsonaro insere-se nessa linha histórica como figura que explorou inseguranças sociais e rejeitou consensos científicos e institucionais. Além disso, ele mobilizou parte da população com retórica de confronto e transformou crise sanitária em palco político. Portanto, a radicalização alcançou patamar inédito desde a redemocratização.
Portanto, ela primeira vez na história, um ex-presidente sofre condenação por tentativa de golpe e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Além disso, esse marco redefine os limites da atuação política no país e reforça o papel das instituições como guardiãs da estabilidade constitucional.










