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Juíza homologa prisão de Bolsonaro após audiência tensa que revela surto, confusão e questionamentos

Juíza homologa prisão de Bolsonaro após audiência

Audiência de custódia mostra episódios de “alucinação”, esclarece dúvidas sobre a tornozeleira e confirma a legalidade da prisão de Jair Bolsonaro.

A audiência de custódia de Jair Bolsonaro ocorreu no domingo, 23 de novembro de 2025, às 12h, por videoconferência. A sessão teve condução da juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, Dra. Luciana Yuki Fugishita Sorrentino. O registro oficial mostra a presença da defesa, do Ministério Público e do próprio custodiado.

A juíza iniciou a sessão explicando os objetivos da audiência conforme a Resolução 213 do CNJ. O procedimento garantiu o direito ao silêncio e permitiu entrevista reservada com a defesa antes das perguntas formais. Esse ponto reforçou a regularidade da custódia e criou base jurídica sólida para a sequência da oitiva.

Bolsonaro confirmou a entrevista prévia com os advogados Daniel Bettamio Tesser e Paulo Henrique Aranda Fuller. Em seguida, forneceu dados pessoais completos. Ele declarou: “sou militar, professor de educação física e uso vários medicamentos”. A juíza registrou que Bolsonaro não respondeu a processos criminais anteriores.

Perguntas obrigatórias da Resolução 213

A magistrada então aplicou as perguntas obrigatórias da Resolução 213. Bolsonaro afirmou: “não houve abuso ou irregularidade por parte dos policiais”. Esse trecho se tornou crucial, pois reforçou a legalidade da prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo Bolsonaro, a prisão ocorreu às 6h do sábado, 22 de novembro.

O ponto mais sensível da audiência começou quando a juíza questionou a manipulação da tornozeleira eletrônica. Bolsonaro relatou que teve “certa paranoia” entre sexta e sábado devido à interação entre medicamentos receitados por médicos diferentes. Ele mencionou Pregabalina e Sertralina. Segundo o depoimento, “o sono picado” e a falta de descanso agravaram a confusão mental.

Bolsonaro declarou que, por volta de meia-noite, decidiu mexer no equipamento usando um ferro de solda. Ele disse que tem curso para operar esse tipo de ferramenta. A fala trouxe outra revelação importante: “caí na razão e parei”. Ele afirmou que comunicou os agentes depois da tentativa. Bolsonaro também afirmou que estava com “alucinação de que tinha uma escuta na tornozeleira”.

Medicamentos

O ex-presidente disse que tomou um dos medicamentos cerca de quatro dias antes do episódio. Ele explicou que ninguém viu a ação com o ferro porque a filha, o irmão e um assessor dormiam. A juíza aprofundou a investigação e perguntou sobre os médicos responsáveis pelas prescrições. Bolsonaro respondeu: “Cláudio Birolini, Leandro Chenique e Marina Graziottin Pasolini”, destacando que a última prescreveu Sertralina sem contato com os demais profissionais. Esse ponto levantou questionamentos sobre acompanhamento médico integrado.

O Ministério Público então analisou a fala do custodiado. O procurador Joaquim Cabral afirmou que, diante da narrativa, a PGR via “regularidade da custódia cautelar”. A posição do MP reforçou a legalidade da prisão e apoiou a manutenção da medida.

Defesa

A juíza passou a palavra à defesa. Os advogados perguntaram se Bolsonaro pretendia remover a tornozeleira para fugir. Ele respondeu: “não tive qualquer intenção de fuga”. Acrescentou que “não houve rompimento da cinta”. Ele mencionou ainda um rompimento anterior da cinta durante uma tomografia. A fala buscou afastar interpretações sobre tentativa deliberada de evasão.

Além disso, a defesa mencionou a vigília organizada pelo filho do ex-presidente. Bolsonaro explicou que o local fica a 700 metros da sua casa e que isso “não criaria tumulto capaz de facilitar fuga”. Esse ponto desmontou narrativas sobre eventual apoio externo à evasão.

A juíza aprofundou outro ponto essencial: a origem do ferro de solda. Bolsonaro disse que “o equipamento já estava em casa”. A informação eliminou hipóteses sobre terceiros facilitando a ação.

Após ouvir todos os lados, a juíza analisou a legalidade da prisão. Ela afirmou que o ex-presidente relatou ausência de abusos e que as formalidades foram cumpridas conforme prevê a lei. Portanto, a magistrada então declarou: “homologo o cumprimento do Mandado de Prisão”. Ela deixou a análise do mérito para o ministro Alexandre de Moraes. A sessão encerrou após a homologação.

Por fim, o termo registrou ausência de assinatura de Bolsonaro por se tratar de videoconferência, algo previsto no Código de Processo Penal. O documento destacou que os autos retornariam conclusos após a audiência.

Portanto, a audiência mostrou pontos centrais: interação medicamentosa sem acompanhamento conjunto, “alucinação” que motivou a ação sobre a tornozeleira, justificativas da defesa, posição firme do Ministério Público e homologação da prisão. Assim, o registro oficial apresentou o relato completo do ex-presidente e estabeleceu base jurídica sólida para os próximos passos do processo.

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